Na bodega de Zé Américo, o pão ainda é embrulhado no papel

Embora o advento e a modernidade tenham influenciado direta ou indiretamente nos conceitos e costumes da população pajeuzeira, a bodega de balcão ainda tem espaço numa sociedade dominada pelos chamados supermercados. Na cidade de Iguaracy a bodega de José Américo Bezerra funciona há mais de 60 anos. Com prateleiras de madeira, teto de compensado, enfeitado com lingüiça e alguns pares de sandálias pendurados, a bodega de José Américo se mantém em meios aos vários mercadinhos sofisticados na terra do cantor Maciel Melo.

Lá o pão ainda é embrulhado em papel e ainda amarrado por um cordão, seguindo as velhas tradições. Américo conta que apesar de muitos questionamentos, feitos inclusive por pessoas da família, nunca pensou em transformar seu comércio em um mercadinho. Ele ainda usa a velha caderneta que antigamente servia para intermediar as negociações todas, da farinha, do feijão, do sal e do açúcar e utiliza um caderno de controle, abarrotado de papéis de enrolar pão, rabiscadas de caneta com diversas contas de clientes.

O bodegueiro disse ao blog que o progresso não conseguiu destruir o marco empreendedor do seu pai Zezé Arara, construído com muito sacrifício, pois tudo continua na mais perfeita originalidade. O sabão na bodega de Zé Américo é enrolado com papel de maço de cigarros, o querosene e o fumo de rolo são vendidos ainda de mercado (fracionado). “Isso tem um relevante valor histórico-cultural. Por ser muito atencioso e educado, o senhor José Américo construiu uma clientela que permanece fiel até os dias de hoje”, disse o policial militar Cícero. 

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