Menino morto em escola no Rio de Janeiro era pernambucano

G1

Pai pretendia voltar ao Recife no fim do ano letivo, em dezembro; menino foi ferido dentro de sala de aula



"Veio de tão longe para morrer aqui". Foi com essas palavras que Ricardo Freire enterrou o filho único Wesley Guilber Rodrigues de Andrade, de 11 anos, na manhã deste sábado (17) no Cemitério de Irajá, no subúrbio do Rio.


Muito emocionado, ele lamentou que a família veio de Pernambuco para se tornar mais uma vítima da violência no Rio de Janeiro. Segundo Ricardo, o menino nasceu no Recife, e morava no Rio há 4 anos.

O menino foi atingido por uma bala perdida dentro de uma sala de aula no Ciep Rubens Gomes, em Costa Barros, na manhã de sexta-feira (16) e já chegou morto ao Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes. A Polícia Militar fez uma operação na região na manhã de sexta.

Ricardo disse que pretendia voltar ao Recife em dezembro, após o término do ano letivo. Ele contou ainda que seu desejo era que o menino fosse enterrado na cidade pernambucana, mas foi informado de que não haveria tempo hábil para embalsamá-lo a tempo de fazer o translado. O enterro do menino foi pago pelo governo do Rio, disse ele.

Segundo um tio do menino, Ricardo estava de férias no Recife e antecipou a volta por causa da morte da criança.

A mãe, muito abalada, não quis falar com a imprensa. Parentes, amigos e professores rezaram, pediram força e o fim da violência. Eles bateram palmas para Wesley e jogaram uma chuva de pétalas de rosas vermelhas e depositaram rosas brancas sobre o caixão.

Vários professores, além de amigos e alunos acompanharam o cortejo. Após o enterro o professor Felipe Ribeiro fez uma roda junto com outros professores e pediu desculpas à família de Wesley por não ter conseguido salvar a vida do menino.

"Senti necessidade de me desculpar, porque queria que a família soubesse que fizemos de tudo para salvá-lo. Liguei insistentemente durante meia hora pedindo uma ambulância e só me diziam que o socorro estava chegando. Só quando liguei para a polícia explicando que o menino já estava ficando arroxeado, eles me disseram para colocá-lo num carro e levá-lo ao hospital", contou Ribeiro, muito emocionado, destacando que duas professoras que tinham carro levaram o aluno até o Hospital Carlos Chagas.

Ao final da cerimônia, a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino (Sepe), Vera Nepomuceno, se colocou à disposição da família para segundo ela "não deixar a morte da criança passar em vão". Vera disse que representantes do Sepe vão se reunir ainda nesta sábado (17) com um advogado para ver como responsabilizar o governo do estado e o município pela morte de Wesley.

"Já temos uma ação no Ministério Público sobre essas ações violentas da polícia perto das escolas. A Secretaria de Segurança diz que não pode informar sobre as operações policiais para não comprometer o sigilo das ações. Mas não é possível que mais crianças inocentes continuem morrendo por causa da ação da polícia", disse a representante do Sepe.

EXONERAÇÃO
O comandante do 9º BPM (Rocha Miranda), Fernando Príncipe, foi exonerado na tarde dea sexta-feira (16), depois que o menino foi morto em sala de aula. Na mesma região, homens do 9º BPM faziam uma operação nas favelas da Quitanda, da Lagartixa e da Pedreira, todas perto do Ciep. A PM não confirma que a criança tenha sido atingida durante a operação, mas o comandante geral da PM, Mário Sérgio Duarte, já determinou que caso seja investigado "com celeridade".

De acordo com a assessoria de imprensa da PM, o objetivo da operação era verificar informações do Disque-Denúncia sobre criminosos que estariam nas imediações da Estrada do Camboatá e Avenida Pastor Martin Luther King.

O tenente-coronel Luís Carlos Leal assumirá o 9º BPM.Fonte:g1

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